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Qui., Abr.
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Sustentabilidade

Portugal dispõe de poder económico e de inovação e de matéria-prima de biomassa para expandir rapidamente as atividades industriais de base biológica, a nível regional e nacional, e para se tornar num forte parceiro na bio economia europeia.

As conclusões são de um relatório, elaborado pelo Bio-based Industries Consortium (BIC), principal associação europeia do setor que tem como missão incluir a circularidade, a inovação e a sustentabilidade como prioridade central da bio economia na Europa. A bio economia do país já contribui com uma faturação de quase 20 mil milhões de euros colocando-o numa posição para liderar a transformação bio económica da Europa.

Apesar de ser um país com um território pequeno, Portugal possui uma série de climas e ecossistemas, desde as montanhas florestais a norte às planícies secas no sul e desde a costa atlântica ao interior montanhoso. Os arquipélagos dos Açores e da Madeira acrescem à biodiversidade do país.

As indústrias agroalimentares, florestal, do setor marinho (pesca, algas e aquacultura) e química são algumas das fortes impulsionadoras da economia portuguesa. Nos setores de processamento de base biológica, os líderes em termos de valor de produção são as indústrias dos alimentos e bebidas, papel e pasta para papel e processamento de madeira.

Portugal está também ativo no que concerne às parcerias público-privadas que impulsionam a inovação. O estudo identifica ainda que os setores primários e os setores de processamento, em Portugal, têm correntes residuais significativos, cuja maioria é gerada nas fases de processamento. As indústrias do papel e pasta do papel são a fonte mais abundante de biomassa residual, seguida das indústrias dos alimentos e bebidas.

Os dados de 2018 mostram que 1% dos fluxos residuais dos setores primário e de processamento são encaminhados para a produção de energia, 82% são recuperados e encontram aplicações de baixo valor, e cerca de 18% são eliminados. Isso significa que mais de 1 milhão de toneladas de correntes residuais poderiam, potencialmente, ser encaminhadas para operações de base biológica e converter-se num valor acrescentado em quase todos os setores do mercado.

Ao analisar os municípios, o estudo refere que cerca de 38% dos resíduos biológicos foram colocados em aterros e que, à medida que forem encerrados, os resíduos devem ser convertidos para aplicações de base biológica.

A agência nacional FCT apoia ativamente a criação de polos de colaboração público-privados, nos quais a indústria, a academia, as universidades e os centros de investigação investem e criam produtos de forma conjunta. O país tem uma rede bem estabelecida de parques e incubadoras tecnológicas.

O projeto MULTI-STR3AM, um projeto de demonstração com um financiamento de 6,6 milhões de Euros da Bio-based Industries Joint Undertaking (BBI JU), é o primeiro projeto a esta escala ao abrigo deste programa, e é liderado por um interveniente português.

A Algae 4 Future (A4F), localizada em Lisboa, lidera este projeto iniciado em maio de 2020 e que decorrerá até ao final de abril de 2024, com centro operacional em Portugal. Este projeto é um exemplo do interesse e do empenho das comunidades científica e industrial do país em atividades de base biológica.

Consulte aqui o relatório.