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Ter., Jun.
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Reportagens

O Viveiro da MARCA-ADL foi desenhado e construído de raiz em 2015, no contexto do projeto europeu LIFE LINES. Neste berçário de plantas faz-se a propagação vegetativa de herbáceas, árvores e arbustos da flora autóctone, por métodos de estacaria e germinação por semente, com variabilidade genética.

Um dos objetivos principais deste projeto é produzir espécies nativas de Portugal que sejam utilizadas em trabalhos de reflorestação, conservação da natureza e jardins adaptados às alterações climáticas, assim como, continuar a investigar métodos de propagação de espécies emblemáticas e contribuir para a manutenção da biodiversidade local.

O material reproduzido é colhido em áreas referenciadas onde as espécies existem em número significativo e estão adaptadas às condições do solo e do clima do território, quando apresentam um bom estado de desenvolvimento vegetativo e sanitário.

Entre as várias plantas presentes encontramos espécies com valor alimentar como o medronheiro, a alfarrobeira, o castanheiro e a nogueira; dezenas de aromáticas como os tomilhos, a alfazema, os rosmaninhos; muitas espécies com valor medicinal e outras com valor ecológico, essenciais para a fauna silvestre, como o pilriteiro ou o azevinho, cujas bagas e flores atraem pássaros, abelhas e insetos polinizadores.

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As plantas propagadas no viveiro da Marca -ADL são utilizadas em trabalhos de conservação de flora silvestre, nomeadamente na regeneração de habitats prioritários e ecossistemas florestais de importância internacional, como os montados e o seu sub-coberto arbustivo, os matos mediterrânicos, os carvalhais e os bosques de Quercus spp., assim como, as galerias ripícolas, nomeadamente na conservação de margens de cursos de água e zonas húmidas.

Estas espécies também são utilizadas em zonas urbanas e periurbanas de modo a promoverem a biodiversidade e a diminuírem a exigência de manutenção destas áreas (particularmente a diminuição de utilização de recursos hídricos na rega de manutenção), onde se incluem jardins, fomentando a infraestrutura verde urbana. Embelezam a paisagem, fornecem alimento para a avifauna e vida selvagem em redor e criam, também, barreiras acústicas naturais que minimizam os níveis de ruído em locais perto de estradas ou arruamentos com elevado tráfego rodoviário, bem como melhoram a qualidade do ar por reterem poeiras e poluentes.

A utilização de espécies nativas, em ações de reflorestação, contribui para uma maior adaptação do território português às alterações climáticas, ou seja, estão mais familiarizadas com as condições edafoclimáticas de uma dada região (de que são exemplo as características de solo, o clima, a temperatura, o vento, a humidade, o relevo ou a precipitação fluvial).

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As plantas nativas, ao estarem adaptadas ao clima mediterrâneo, requerem menos água, contribuem para a conservação do solo e são mais resistentes a pragas ou doenças florestais. Outras funções importantes da floresta nativa são a melhoria da qualidade do ar e o armazenamento de carbono atmosférico.

“No viveiro focamo-nos na capacitação, investigação e produção de plantas nativas. Com a comunidade local desenvolvemos atividades pedagógicas, atividades de team building, percursos interpretativos à descoberta do poder das plantas, da natureza comestível e da biodiversidade em redor, junto de jovens e da população em geral”, dizem.

Entre outros serviços associados ao viveiro, destacam-se a produção de plantas autóctones por encomenda, as ações de controlo de invasoras, através da remoção e substituição por espécies autóctones prioritárias, bem como, os trabalhos de plantação e reflorestação que visam a melhoria do estado de conservação dos habitats naturais e adaptação de espaços urbanos e jardins às alterações climáticas.

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“Ao longo destes 20 anos de existência contribuímos para a dinamização da economia local, no concelho de Montemor-o-Novo. Promovemos os recursos endógenos, o património e a cultura nas regiões rurais do Alentejo, partilhamos este conhecimento junto de escolas e grupos de jovens. Procuramos soluções locais para problemas globais”, explica Marta Mattioli, presidente da direção desta associação de desenvolvimento local.

Por ano, a MARCA-ADL recebe, em média, aproximadamente 300 voluntários portugueses e internacionais.

 

Com Marca-ADL