15
Qui., Abr.
5 Artigos Novos

Reportagens

“O Papel da Floresta na Recuperação Económica Nacional” deu o mote a um webinar organizado pelo Centro PINUS, para marcar o Dia da Floresta Autóctone, a 23 de novembro.

João Ferreira do Amaral, Professor e Economista; Francisco Ferreira, Professor e Presidente da Associação Sistema Terrestre Sustentável ZERO; e José Pamplona, Escoteiro Chefe Nacional Adjunto da Associação dos Escoteiros de Portugal e Comissário Internacional, participaram numa sessão moderada por Susana Carneiro, em representação do Centro PINUS, para falar sobre as diferentes faces da questão.

Susana Carneiro e Ferreira do AmaralSusana Carneiro e Ferreira do Amaral

A gestão é fundamental

A primeira intervenção ficou a cargo de João Ferreira do Amaral, que falou acerca da importância de um setor que representa 1,5% do PIB e 10% das exportações de mercadorias. Ferreira do Amaral referiu ainda que grande parte das exportações, cerca de 70%, é valor acrescentado que fica no país, e que são necessárias muitas mudanças para aproveitar o potencial que a fileira florestal pode trazer à economia. “É um setor fundamental, nomeadamente no que respeita aos objetivos do Roteiro da Neutralidade Carbónica a atingir em 2050”, comentou.

Ferreira do Amaral relembra: “Houve décadas de desleixo no que respeita à política económica relativamente ao setor florestal” e que é necessário romper este ciclo. O setor está cheio de potencialidades, mas falta uma componente imprescindível: a Gestão – a nível macro (político e face às atividades florestais); a nível individual (a gestão dos terrenos) e a gestão agrupada para que se possa ultrapassar as dificuldades que resultam da exploração. “Há propriedades muito bem geridas, mas infelizmente na maior parte do país falta gestão, mesmo a mais básica”, comenta.

Para tal, é necessário incentivar a gestão florestal e torná-la atrativa. Como? Através de investimento e de incentivos, criando forma de reduzir os riscos associados. Como conclusão, João Ferreira do Amaral indicou que este é um setor de longo prazo, ou seja, precisa de persistência nas atividades e medidas que avistem um crescimento sustentável com o setor.

Francisco FerreiraFrancisco Ferreira

Por uma floresta diversificada

Francisco Ferreira, por sua vez, começou a intervenção por mostrar apreensão acerca da existência de florestas de monocultura, que deveria ser contrariada em favor da diversificação, onde sejam privilegiadas as espécies autóctones, como o Pinheiro-bravo, “mas em consonância com outras espécies”. Referiu a necessidade de uma economia verde e circular, que não limita a associação do valor económico à extração da madeira, mas que incorpora outros elementos. “Devem ser também introduzidas algumas espécies de crescimento rápido, mas de forma equilibrada”, comenta. 

No que respeita ao minifúndio e ao desafio que representa para uma gestão sustentável e integrada, referiu a necessidade de encontrar modelos que permitam ultrapassar os problemas através de uma gestão colaborativa. Francisco Ferreira exprimiu ainda a preocupação da ZERO relativa à utilização de biomassa florestal na produção de energia, sem que seja salvaguardada a sustentabilidade do recurso ou a neutralidade carbónica da atividade.

Jose PamplonaJose Pamplona

Numa época digital, as atividades ao ar livre são fundamentais

José Pamplona mencionou a importância das atividades ao ar livre para a saúde mental, especialmente importante nesta época de pandemia. O representante do Escotismo sublinha que isso é necessário para todas a idades, mas é fundamental para os jovens, que passam semanas inteiras ligados ao computador. “Acaba por ser um escape muito importante para nós e para os jovens”, comenta, adiantando “nós somos um povo latino que procura um contacto social presencial” e que “as florestas podem e devem ser um palco para esse desenvolvimento”.

As atividades de lazer com amigos e familiares, ao ar livre, onde é possível manter o distanciamento tornam-se essenciais e devem ser incentivadas.  

O Escotismo privilegia espaços verdes há mais de 100 anos, ensina a importância do ambiente e transmite uma vivência única de ligação e respeito pela floresta. Concluindo, José Pamplona admitiu que é de facto imprescindível aproveitar a floresta como um espaço de fortalecimento das famílias e do estado emocional das pessoas enquanto indivíduos.