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Dom., Out.
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Reportagens

Foi em Lisboa, a encerrar o mês de setembro, que decorreu o Encontro PEFC Portugal – Floresta e Sustentabilidade. No evento participaram a Altri, a Corticeira Amorim e a The Navigator Company, empresas agentes do setor florestal e que são certificadas pela Cadeia de Custódia PEFC.

“Procuramos desfocar da questão da certificação e falar sobre os propósitos mais vastos que justificam a nossa existência”, explicou João Sobral, presidente do PEFC Portugal, na abertura do encontro.

Ben Gunneberg, do PEFC Internacional, abordou os grandes perigos para a floresta, nomeadamente a expansão da agricultura, os fogos, a atividade pecuária sem gestão, as atividades madeireiras ilegais, o crescimento da população mundial e o aumento das infraestruturas.

Encontro PEFC Portugal 2020

Relembrou que a certificação pode ajudar a cumprir diversos objetivos que são também contemplados na Agenda 2030 das Nações Unidas, como a proteção da biodiversidade, a obtenção de água limpa, energia renovável, e uma economia verdadeiramente sustentável.

O debate, moderado pela vice-presidente da direção do PEFC Portugal, Paula Guimarães, contou com a presença de José Pina, presidente da comissão executiva da Altri SGPS, António Amorim, presidente do conselho de administração da Corticeira Amorim e António Redondo, CEO da The Navigator Company.

Todos os presentes referiram a atuação das respetivas empresas em prol da preservação florestal e as dificuldades causadas pelas interpretações incorretas que continuam a circular na opinião pública.

 

A floresta de produção defende a de conservação

“A floresta é a fonte da nossa matéria-prima e é um importante sumidouro de carbono. Trabalhamos com uma matéria-prima que fazemos crescer, que colhemos na maturidade e que se desenvolve de forma infinita”, diz António Redondo, da Navigator. Sublinhou que dada a atividade dos agentes privados, a floresta de produção é a melhor forma de garantir a floresta de conservação, pois são precisamente os privados que investem para combater a erosão, evitar os incêndios e para preservar a biodiversidade. O Estado detém apenas 2% da área florestal em Portugal.

Antonio RedondoAntónio Redondo, The Navigator Company

“A floresta de cortiça dá um conjunto de bens para o ecossistema”, explica António Amorim. Adianta ainda: “Uma tonelada de cortiça retém 73 toneladas de CO2, ou seja, uma rolha de cortiça retém 400g”.

Todos recordaram que o património florestal está na base de outros produtos, como a produção de pinhão, cortiça e mel. Mas, no entanto, há limites legais para a expansão da floresta de produção levando a que a Europa seja obrigada a importar quatro biliões de pastas celulósicas, de pior qualidade da que seria capaz de produzir, o que implica também uma cadeia de fornecimento longa, responsável por mais emissão de CO2 associado.

Antonio AmorimAntónio Amorim, Corticeira Amorim

 

Ao fomentar a floresta de produção, os empresários referem que é possível expandir uma série de outras oportunidades, como a produção de bioetanol a partir de resíduos florestais ou, por exemplo, expandir a produção de óleos essenciais. Porém, tal não é possível devido à falta de matéria-prima.

“Estamos a importar matéria-prima para transformar e voltar a exportar e isso não faz sentido”, diz José Pina, da Altri. Relembra que a matéria celulósica é das mais versáteis que existe, podendo ser aplicada nas indústrias farmacêuticas e têxteis, e que é um material único em termos de sustentabilidade.

Jose PinaJosé Pina, Altri SGPS

Mais apoio para os produtores

Um dos grandes desafios das atividades florestais é não serem totalmente compreendidas pela sociedade civil. Os industriais referem que é necessário aumentar a notoriedade da certificação PEFC e facilitar - embora mantendo o grau de exigência na gestão florestal – os procedimentos de certificação. Com um maior reconhecimento chegará um maior interesse e esforço por parte dos produtores florestais - fornecedores da Altri, da Corticeira Amorim, da Navigator e de muitas outras empresas – que poderão e deverão ser mais bem remunerados, explicam.