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Dom., Out.
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Reportagens

O ForestWISE, Laboratório Colaborativo na área da gestão integrada da floresta e do fogo, reuniu várias personalidades para discutir o impacto da pandemia da COVID-19 na preparação para a época de verão.

Como vão sair destes tempos de pandemia os setores relacionados com a floresta e o fogo? O que vai mudar nestes setores devido à pandemia? Estas foram as questões que lançaram a conversa para a audiência online, através das plataformas Zoom e YouTube.

José Manuel Mendonça, Presidente do Conselho de Administração do ForestWISE, diz que "é crucial manter na agenda as questões fundamentais da floresta e do fogo". Uma opinião partilhada pelo Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território. “Temos dois terços do território vocacionado para a atividade florestal. Temos de aproximar a indústria da academia e das autarquias. Estes players precisam trabalhar em conjunto de uma forma agregada e o ForestWise permite fazer isso”, refere João Catarino.

ForestWISE forum

O impacto da pandemia

Todos são unanimes em afirmar que ainda não se saiu ou sabe quando se vai sair da pandemia. O tempo de isolamento social abrandou algumas atividades, mas no caso da prevenção dos fogos florestais, os trabalhos tiveram de continuar. Nuno Banza, do ICNF explicou que apenas surgiram dois casos positivos de COVID-19 entre as brigadas de sapadores florestais, sem cadeiras de transmissão ativas, tendo sido possível cumprir os objetivos fixados para as respetivas unidades de trabalho.

No setor privado, o modo de operar foi semelhante.  A REN, por exemplo, não parou e apostou em disponibilização de equipamentos individuais de proteção, à redução ao número de elementos por equipa, a reuniões limitadas ao ar livre e várias outras medidas de proteção da força de trabalho.Esta foi uma das poucas áreas em que não parámos e que nos adaptámos”, explica João Gaspar - gestor de património da REN.

Com a chegada da pandemia, a atividade dos pequenos proprietários diminuiu e, não sendo essa a sua atividade principal, investir na floresta será um plano adiado, estimam os especialistas. A The Navigator Company decidiu agir a pensar no futuro, e tentou dar apoio para garantir que os prestadores de serviços continuavam a ter alguma atividade. “Fomos tendo preocupação de partilhar conhecimento. Disponibilizámos os nossos planos de contingência e colaborámos para ver como adaptá-lo à realidade dos prestadores de serviços”, diz Nuno Neto. A companhia mobilizou-se para dar apoio no terreno aos trabalhadores, que não teriam onde fazer compras, fazer refeições em restaurantes ou ter onde dormir quando deslocados. “Utilizámos instalações nossas e dinamizámos pontos de entrega de mantimentos e refeições”, conta Nuno Neto. Além disso, em conjunto com a Altri, implementaram planos de contingência para garantir que o dispositivo de combate a incêndios, Afocelca, continua operacional e a dar as respostas necessárias.

A cooperação entre entidades e os media

José Manuel da Costa, da Proteção Civil, sublinhou que a pandemia obrigou a uma maior comunicação entre entidades. Diz: “Temos de ter a coragem de admitir que há outras entidades que trabalham no mesmo sistema que nós, e tentar aprender com o que esta a ser feito noutras estruturas, países e realidades, com uma adaptação honesta sobre o que pode ou não ser aplicado em território nacional”.

Relembrou ainda que vivemos numa aldeia global, em que os meios de comunicação acompanham as situações no terreno, podendo ser aliados numa comunicação eficaz com as populações: “é necessário haver transparência com os meios de comunicação para que sejam um parceiro nas questões relativas à floresta”.

budget

Ouvir quem está no terreno

 Luís Braga da Cruz, presidente da Florestis, apela a que as estruturas governativas ouçam quem está no terreno. “O que vale para a pandemia vale para a floresta e para os fogos. São necessárias regras claras, a nível nacional e regional, e autoridades com planos de ação concreta a nível local. Tem de haver clareza da informação e responsabilidade ao nível da ação local”.

Claudio Heitor, da Confagre, é da opinião que o isolamento social agravou o distanciamento entre quem desenha e quem implementa as medidas públicas. Relembrou que as primeiras medidas anunciadas para a floresta nem chegaram a ser trabalhadas e que é necessário parar de tentar implementar medidas que foram bem-sucedidas noutras realidades, mas que não se aplicam às características da floresta nacional. “É fundamental devolver a função económica à floresta, que não deve ser gerida pelo ministério do Ambiente”, diz, sublinhando, contudo, o respeito pela instituição.

A GNR em todas as etapas

Rui Clero falou pela Guarda Nacional Republicana, instituição que se encontra presente em todas as etapas do trabalho de proteção à floresta. Dinamiza, em maior ou menor dimensão, as fases de sensibilização, notificações de incumprimento, ações de fiscalização, intervenção em ações de ataque imediato ou ampliado, movimentação de populações, investigação das causas de incêndios e verificação de áreas ardidas. Para isso conta com um ativo de cerca de 2000 militares afetos a todas as atividades. Só em 2019 foram realizadas mais de 6200 ações de sensibilização, levantados mais de 1000 autos de contraordenação e mais de 7000 autos por falta de gestão de áreas florestais.

O programa Floresta Segura 2020 começou em janeiro, com ações de sensibilização, seguindo-se uma primeira campanha de fiscalização. Entre maio e outubro estão abertos os postos de vigia e estarão garantidas as ações de ataque imediato. No final do verão, avaliar-se-á  a campanha e planificar-se-á o ano seguinte.

Fogo Alice Machado

Constrangimentos na formação dos bombeiros

José Ferreira, presidente da Escola Nacional de Bombeiros, falou sobre o impacto e as medidas alternativas a que o corpo dos soldados da paz é sujeito, no que respeita à formação. O e-learning ganha terreno e as alterações foram necessárias para garantir a qualidade dos vários tipos de formação a que são sujeitos. O responsável da instituição relembra que é as competências dos bombeiros são muito abrangentes: Não formamos bombeiros para incêndios rurais e sim para diferentes situações. Alguns dos módulos de informação são introduzidos à medida que evolui a progressão na carreira”. Dado que começou a época em que deflagram mais incêndios, a disponibilidade para a formação diminui e a atividade deverá ser retomada com maior expressão no mês de outubro.