05
Dom., Abr.
4 New Articles

Res2ValHUM: composto orgânico pode combater poluição e degradação dos solos

Foto: Freepik

Reportagens
Typography
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Há uma cooperação entre laboratórios portugueses e galegos para procurar mitigar a concentração de poluentes emergentes nas águas residuais e combater a degradação dos solos agrícolas. Para isso recorrem-se a substâncias com origem em compostos orgânicos, de algas, vermes e até estrume. Tudo acontece no âmbito do projeto “Res2ValHUM”, desenvolvido ao abrigo do programa INTERREG V-A Espanha-Portugal, com cerca de dois anos, cujo objetivo inicial era conhecer melhor as substâncias que constituem os compostos orgânicos.

Provenientes de resíduos urbanos ‘verdes’, como os que resultam da poda das árvores ou restos de flores, e algas, vermes ou estrume, estes compostos orgânicos, que chegam aos laboratórios dos departamentos de Química e de Biologia da Escola de Ciências da Universidade do Minho, têm “um enorme potencial”.

O composto orgânico tem na sua constituição substâncias húmicas, ou seja, moléculas bioativas. Fátima Bento, coordenadora do projeto em Portugal, revela, em declarações à Lusa, que os investigadores estão já a trabalhar na “otimização destas moléculas”.

“Estamos agora a produzir um composto que esperamos que seja melhorado e vamos depois caracterizá-lo e ver até que ponto pode ter um maior número de aplicações ao nível industrial”, refere a responsável.

O material, devidamente rotulado em pequenas embalagens, tanto chega na sua forma original (sólida), como em extratos. É a partir daqui que as suas moléculas e substâncias são analisadas. Os investigadores do departamento de Química acreditam que este composto pode vir a ser usado como “filtro de purificação das águas” e, assim, “reter poluentes emergentes”, como os fármacos, que atualmente existem “em grandes quantidades” nas águas residuais.

“As pessoas tomam muitos medicamentos e é muito difícil retirá-los das águas das estações de tratamento [ETAR], uma vez que elas não foram concebidas para isso. Uma das coisas que estamos a tentar testar é a aplicação do composto para o tratamento das águas”, explica Fátima Bento. Depois de comprovada cientificamente a sua utilidade, a ideia dos investigadores passa por criar filtros que podem ser utilizados nas estações de tratamento de águas residuais.

O enfoque dos investigadores do departamento de Biologia é outro: analisar as potencialidades deste composto no combate à degradação dos solos agrícolas. Entre o laboratório e uma pequena plantação agrícola, localizada a poucos metros do edifício n.º 6 da universidade, os cientistas estão a tentar perceber as repercussões do composto no crescimento das plantações e dos fungos.

Com base em culturas de alface, de macieira e morangos, perceberam que os compostos, além de “aumentar o vigor, crescimento e a proliferação das raízes”. “

Vimos que os extratos enriquecidos com as substâncias húmicas promoviam os fungos que estabelecem relações positivas, portanto, estamos a conseguir melhorar a produção vegetal por duas frentes. Por um lado, atacando os patogénicos e, por outro, promovendo uma atuação mais forte dos organismos positivos”, assegura.

Res2ValHUMRes2ValHUM

Outro futuro

A futura utilização deste componente na agricultura poderá vir a “diminuir a carga e utilização dos pesticidas”. Os investigadores da Universidade de Santiago de Compostela já conseguiram provar a utilidade deste composto na requalificação de solos degradados, nomeadamente, na Mina de Touro, uma antiga mina de cobre onde “há 20 anos nada crescia e onde agora existem árvores, répteis e aves”.

As possíveis aplicações deste composto, no entanto, não terminam por aqui. Os investigadores não fecham as portas à possibilidade de este composto vir a ser utilizado na cosmética.

Sobre o projeto

Com um orçamento de 2,1 milhões de euros, o projeto “Res2ValHUM” reúne parceiros de três cidades portuguesas – Braga, Guimarães e Porto - e quatro espanholas – Santiago de Compostela, Ourense, Touro e Corunha.

A colaboração ibérica envolve sete parceiros, dois laboratórios científicos associados à Universidade do Minho e de Santiago de Compostela, e cinco empresas especializadas em solos e produção de composto orgânico: o Centro para a Valorização de Resíduos (em Guimarães), o Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto (LIPOR), a BRAVAL - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos (Baixo Cávado), a Sociedade Galega de Medio Ambiente, S.A. (SOGAMA) e o Centro de Valorización Ambiental del Norte.

Com LUSA